
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DA SÍFILIS CONGÊNITA E SEU PERFIL NA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL
Relatoria:
LUDMILLA TCHERINA ROCHA FIGUEIREDO ALBUQUERQUE
Autores:
- Jéssica Cristina Barbosa Barreto
- Lucas Cleyston Carvalho de Aquino
- Juliana Mineu Pereira
- Lívia Cintia Maia Ferreira
- Hitálo Santos da Silva
Modalidade:
Pôster
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Estudo de caso
Resumo:
INTRODUÇÃO: A sífilis é uma doença infectocontagiosa sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente por via sexual e verticalmente. A transmissão mais comum ocorre por via transplacentária, mas pode também acontecer durante o parto, resultando em aborto, graves sequelas ao recém-nascido e até mesmo óbito. A sífilis pode ser classificada como precoce, quando os sinais e sintomas surgem até os 2 anos de vida, ou tardia, após os 2 anos. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2012 e 2023, foram detectados 573.094 novos casos de sífilis em gestantes e 250.478 de sífilis congênita no Brasil, configurando-se uma problemática de saúde pública. Analisar os dados de sífilis congênita é crucial para entender a persistência da transmissão vertical. OBJETIVO: Analisar a incidência temporal dos casos de sífilis congênita no Nordeste do Brasil. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo ecológico que incluiu a região Nordeste do Brasil como unidade de análise. Os dados foram obtidos por meio das fichas de Notificações de Doenças e Agravos Compulsórios (SINAN), disponíveis no site do Sistema Único de Saúde (DATASUS), coletados em julho de 2024, não necessitando de aprovação prévia pelo Comitê de Ética e Pesquisa, pois a base de dados utilizada estava disponível na internet, fornecida pelo governo. RESULTADOS: Entre 2012 e 2023, foram notificados 73.067 casos de sífilis congênita na Região Nordeste, conforme dados do SINAN-MS. Pernambuco apresentou a maior incidência, com 25,69% dos casos. A maioria dos casos (96,07%) ocorreu em crianças de 0 a 6 dias. Quanto ao sexo, 48,08% eram do sexo feminino, 46,99% masculino e 4,93% tiveram o sexo ignorado. Em relação à raça, 74,78% das crianças eram de pele preta ou parda. Em 31,97% dos casos, as mães tinham entre 20 e 24 anos. Ocorreram 2,96% de natimortos/abortos por sífilis e 1,52% de óbitos devido à doença. CONCLUSÃO: Identificou-se uma alta prevalência de sífilis congênita, principalmente em crianças de mães jovens e de raça preta ou parda, refletindo uma situação de fragilidade social, incluindo falta de incentivo à prevenção, recursos financeiros limitados e baixa escolaridade das mães. É crucial fortalecer o SUS, ampliando a cobertura das Equipes de Saúde da Família e fomentando ações de combate à sífilis congênita, assegurando às mulheres o adequado planejamento familiar e pré-natal, além de suporte, investigação e tratamento apropriados, em tempo hábil, para prevenir a transmissão durante a gestação.