
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
USO DE SUBSTÂNCIAS NA POPULAÇÃO TRANSGÊNERO PRIVADA DE LIBERDADE DO ESTADO CEARÁ
Relatoria:
Davi Oliveira Teles
Autores:
- Raquel Alves de Oliveira
- Samila Gomes Ribeiro
- Paula Renata Amorim Lessa
- Ana Karina Bezerra Pinheiro
Modalidade:
Pôster
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Pesquisa
Resumo:
Introdução: A população transgênero, no contexto nacional, é exposta a múltiplas vulnerabilidades em saúde de maneira desproporcional à população cisgênero e heterossexual, o que prejudica sua saúde e pode permear diversos agravos em saúde, principalmente os de saúde mental, incluindo o uso e abuso de substâncias. Ainda no prisma da vulnerabilidade, o uso de substâncias, algumas vezes, pode relacionar-se com as práticas ilegais e levar à privação de liberdade. Dessa forma, vulnerabilidade, uso de substâncias e privação de liberdade podem estar conectados.
Objetivo: Descrever a prevalência do uso de substâncias prévio à prisão atual na população transgênero privada de liberdade do estado do Ceará.
Método: Recorte de pesquisa transversal, que entrevistou 20.666 Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) do Ceará. Os dados foram coletados em 2022 em todas as unidades prisionais do estado, com questionário de informação sociodemográfica, prisional e de saúde, esta última seção com dados sobre o uso de substâncias prévio e atual. Os dados foram tabulados e analisados utilizando o SPSS, com análise de frequências absolutas e relativas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFC sob o parecer Nº 5.379.780.
Resultados: Da amostra total, 128 eram pessoas transgênero, das quais 61% eram mulheres transgênero, 70% não completaram o ensino fundamental, 74% autodeclararam-se da etnia negra, o ponto mediano foi de 36 anos para a idade e de três meses para tempo de prisão. A prevalência do uso de substâncias lícitas (álcool e tabaco) antes da prisão atual foi de 56%. Quanto à prevalência do uso prévio de substâncias ilícitas, observou-se 53,6%, das quais as mais utilizadas foram maconha (42%), cocaína (26,7%) e crack (13,6%).
Conclusão: Logo, nota-se prevalência do uso de substâncias na maior parte das pessoas transgênero privadas de liberdade. As vulnerabilidades vivenciadas por esse público podem permear o uso e abuso dessas substâncias, que inicia um novo ciclo de vulnerabilidades e pode relacionar-se, inclusive, com a privação de liberdade.