
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHERES NEGRAS
Relatoria:
ERLON GABRIEL REGO DE ANDRADE
Autores:
- DIULLY SIQUEIRA MONTEIRO
- IVANEIDE LEAL ATAÍDE RODRIGUES
- ALOMA SENA SOARES
- GIOVANNA PARAENSE DA SILVA
- LAURA MARIA VIDAL NOGUEIRA
Modalidade:
Pôster
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Pesquisa
Resumo:
INTRODUÇÃO: Entendida como violação dos direitos humanos, a violência constitui um importante problema de saúde pública, considerando seus efeitos deletérios ao bem-estar biopsicossocial das vítimas. Acerca da violência doméstica no Brasil, sobretudo contra mulheres negras, diferentes fatores causais relacionam-se aos agressores, como os tipos de vínculo que mantém com as vítimas, sendo os parceiros íntimos identificados como principais agressores. OBJETIVO: Analisar as concepções de profissionais de saúde sobre violência doméstica contra mulheres negras. MÉTODO: Estudo descritivo e qualitativo, realizado em Unidades Básicas de Saúde e no Departamento de Vigilância em Saúde de Benevides, Pará, Brasil. Participaram 34 profissionais que atuavam nos serviços de Saúde da Família e na Vigilância em Saúde do município. Optou-se por entrevistas individuais, guiadas com roteiro semiestruturado, constituído por perguntas para conhecer o perfil dos participantes e suas concepções acerca do tema. As entrevistas foram audiogravadas e transcritas para formar um corpus, submetido à análise textual com o software IRaMuTeQ 0.7, alpha 2. Obteve-se aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa, com Parecer nº 4.518.585. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os participantes tinham entre 29 e 56 anos, 24 (70,6%) eram mulheres, 28 (82,4%) atuavam na Saúde da Família, e seis (17,6%), na Vigilância em Saúde. O IRaMuTeQ desdobrou o corpus em 94 segmentos de texto, com aproveitamento de 77 (81,9%), originando seis classes lexicais, organizadas em dois eixos temáticos, ambos com três classes. No primeiro eixo, foram explorados os conhecimentos dos profissionais, demonstrando que, para eles, a violência doméstica contra mulheres negras se caracteriza por práticas sutis ou lesivas, empregadas pelo agressor. No segundo, revelou-se que as ações para enfrentar esse fenômeno apresentam dupla natureza (assistencial e gerencial), mas são impregnadas por relatos que tentam negar as atribuições do setor saúde no enfretamento à violência doméstica e por sentimentos que extrapolam a racionalidade, como insegurança e medo, frente à necessidade de notificar os casos e, com isso, possivelmente enquadrar-se em condição de vulnerabilidade e tornar-se vítima da violência. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As concepções dos profissionais desdobraram-se por conhecimentos e ações que declararam realizar, permitindo inferir que a violência doméstica contra mulheres negras ainda guarda forte relação com o racismo estrutural.