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Anais - 26º CBCENF

Resumo

Título:
ESTRATÉGIAS PARA O CONTROLE DA INFECÇÃO NA PREVENÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA EM MATERNIDADE PÚBLICA DE MANAUS
Relatoria:
CARLEM GONÇALVES CABUS
Autores:
  • Maria do Perpétuo Socorro de Oliveira Matos
Modalidade:
Pôster
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Relato de experiência
Resumo:
A mortalidade materna representa um desafio significativo para a saúde pública global, especialmente em regiões em desenvolvimento como a Amazônia brasileira. A taxa de mortalidade materna global é alarmante, com 223 mortes/100.000 nascidos vivos, muitas delas atribuídas a complicações evitáveis, como infecções puerperais. No contexto brasileiro, a região amazônica enfrenta obstáculos específicos de acesso a cuidados médicos e infraestrutura adequada, agravando ainda mais a situação. Neste estudo, relata-se uma experiência bem-sucedida na implantação de estratégias para prevenção da mortalidade materna em uma maternidade pública de Manaus, durante o período de junho de 2023 a maio de 2024. O foco principal foi a redução e prevenção de infecções, especialmente as relacionadas a cesarianas e à assistência à saúde. Inicialmente, a unidade enfrentava uma taxa de infecção de sítio cirúrgico de 5,21% em 2023. As intervenções adotadas envolveram a capacitação intensiva dos profissionais de saúde em práticas de higiene, com ênfase na estratégia multimodal de lavagem das mãos, e a proibição do uso de adornos nas dependências da maternidade. Além disso, foi criado um folder informativo para as usuárias e seus acompanhantes, com orientações sobre cuidados pós-cirúrgicos e sintomas de infecção, acompanhado de uma busca ativa de pacientes após a alta hospitalar, utilizando métodos como busca fonada e ambulatório de egressos. A taxa de infecção na unidade caiu para 1,9%, evidenciando o impacto positivo das estratégias implementadas. Mais importante ainda, houve uma redução de 4 óbitos maternos em 2023 para zero óbitos em 2024, demonstrando a eficácia das medidas preventivas adotadas. Para sustentar e ampliar esses resultados, sugere-se a continuidade e expansão das capacitações periódicas para os profissionais de saúde, o reforço das práticas de controle de infecção, e a implementação de sistemas de vigilância pós-alta mais robustos. Além disso, é essencial fortalecer parcerias com a comunidade local para garantir o apoio contínuo e o engajamento das usuárias nos programas de cuidado pós-parto. Em suma, este estudo não apenas destaca uma redução significativa na mortalidade materna e nas infecções hospitalares, mas também oferece diretrizes valiosas para melhorar a qualidade dos serviços obstétricos em áreas de difícil acesso, como a região amazônica.