
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
ESTRESSORES OCUPACIONAIS E SINTOMAS DEPRESSIVOS ENTRE TRABALHADORAS DE ENFERMAGEM DURANTE A PANDEMIA
Relatoria:
Margarete Costa Helioterio
Autores:
- Fernando Ribas Feijó
- Paloma de Sousa Pinho
- Fernanda de Oliveira Souza
- Guilherme Loureiro Werneck
- Tânia Maria de Araújo
Modalidade:
Comunicação coordenada
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Pesquisa
Resumo:
Introdução: A pandemia da COVID-19 elevou as exigências no trabalho da enfermagem, aumentando as fontes e intensidade dos estressores ocupacionais, com possíveis repercussões na saúde mental. Objetivo: avaliar a associação entre estressores ocupacionais e sintomas depressivos em trabalhadoras de enfermagem no período da pandemia. Método: estudo de corte transversal com amostra probabilística de técnicas de enfermagem e enfermeiras da atenção primária e média complexidade de três municípios da Bahia em 2021/2022. Um questionário estruturado a partir da literatura foi aplicado em entrevista face a face. O Job Content Questionnaire-JCQ mensurou os estressores e o Patient Health Questionnaire (PHQ-9), os sintomas depressivos. Regressão de Poisson com variância robusta estimou razões de prevalências e respetivos intervalos de confiança. Os dados foram analisados no STATA 15.0. Resultados/discussão: participaram do estudo 319 trabalhadoras de enfermagem. Destas, 59,9% eram técnicas de enfermagem e 40,1% enfermeiras. A prevalência global de sintomas depressivos foi 27,4%, sendo mais elevada entre enfermeiras (34,1%) quando comparada às técnicas de enfermagem (22,8%). Um terço das trabalhadoras de enfermagem (30,3%) vivenciavam trabalho de alta exigência (combinando alta demanda psicológica e baixo controle sobre o próprio trabalho) e 19,4% estavam em situação de trabalho passivo (baixa demanda e baixo controle) – situações desfavoráveis; 30,6% estavam em trabalho ativo (alta demanda/alto controle) e 19,7% em baixa exigência (baixa demanda/alto controle). Estressores ocupacionais foram fortemente associados aos sintomas depressivos. Na análise bruta, a prevalência de sintomas depressivos foi 3,41 (IC95%:1,63-7,14) vezes maior entre trabalhadoras expostas a estressores ocupacionais elevados quando comparado ao grupo de níveis estressores baixos. Após ajuste para idade, escolaridade e raça/cor, os estressores ocupacionais permaneceram associados ao desfecho (RP=3,18 IC95%;1,50-3,78). Considerações finais: as elevadas prevalências de sintomas depressivos sinalizam alerta para a necessidade de monitoramento da saúde mental dessas trabalhadoras. A magnitude da associação entre estressores ocupacionais e sintomas depressivos foi alta, o que pode ter sido influenciado pelo cenário pandêmico. Assim, a vigilância do ambiente psicossocial do trabalho é crucial para reduzir e eliminar estressores, a partir de mudanças na organização do trabalho da enfermagem.