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Anais - 26º CBCENF

Resumo

Título:
A questão das drogas: As formas de cuidado em São Paulo, uma breve historicidade contemporânea
Relatoria:
Pedro Henrique Desidério
Autores:
Modalidade:
Comunicação coordenada
Área:
Eixo 2: Ética, política e o poder econômico do cuidado
Tipo:
Relato de experiência
Resumo:
O texto aborda a interseção entre literatura e realidade sociohistórica no Brasil, destacando críticas às práticas psiquiátricas e questões raciais ao longo dos séculos. "O Alienista", de Machado de Assis, satiriza o poder médico através do Dr. Bacamarte, cujo controle sobre a Casa Verde revela arbitrariedade e falta de ética. A obra sugere que o conhecimento científico sem humanismo pode levar à desumanização dos pacientes, reflexo das estruturas sociais hierárquicas do Brasil colonial e pós-colonial, onde a marginalização de negros e mulatos era comum. A Primeira República (1889-1930) consolidou ideologias como o racismo, eugenia e higienismo. O racismo estrutural marginalizou negros e indígenas, enquanto a eugenia promovia o branqueamento populacional e o higienismo associava saúde à moralidade, resultando em políticas segregacionistas que exacerbaram desigualdades sociais e raciais. As reformas sanitárias (1970, 1980, 2000) avançaram com a criação do SUS e a reforma psiquiátrica, buscando universalizar o acesso à saúde e desinstitucionalizar o tratamento mental. No entanto, desafios como a falta de recursos e o estigma persistente contra doenças mentais ainda limitam seu sucesso, enquanto movimentos de contrarreforma, como internações involuntárias na Cracolândia, evidenciam retrocessos na política de saúde mental. Recentemente, o debate sobre a descriminalização da maconha no Brasil levantou questões sobre o tratamento de usuários de substâncias psicoativas. A decisão judicial recente definiu critérios para diferenciação entre usuários e traficantes, destacando o papel do judiciário na política de drogas, muitas vezes desconsiderando alternativas de cuidado em saúde mental. São Paulo exemplifica esses dilemas, onde políticas como a internação forçada na Cracolândia revelam continuidades com práticas históricas de controle e exclusão. Isso contrasta com ideais de cuidado e inclusão propostos pelas reformas sanitárias e psiquiátricas, refletindo um cenário complexo de avanços e retrocessos na saúde pública brasileira. Assim sendo a análise literária de Machado de Assis dialoga com realidades históricas e contemporâneas do Brasil, iluminando a persistência de desafios estruturais e culturais na saúde e nos direitos humanos, particularmente em relação às populações marginalizadas e às políticas de drogas.