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Anais - 26º CBCENF

Resumo

Título:
A REALIDADE DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE VIVENCIADA POR POVOS RIBEIRINHOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relatoria:
LEONARDO DE PAULA VIEIRA MARTINEZ
Autores:
  • Amanda Monteiro Veloso
  • Andréia Maria Monteiro Veloso
  • Luzirene de Sousa Silva Oliveira
  • Marília Pereira da Silva
  • Sandra Helena Isse Polaro
Modalidade:
Comunicação coordenada
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Relato de experiência
Resumo:
Introdução: A população ribeirinha está inserida no contexto da região amazônica, a qual se estabelece como um espaço territorial próspero em biodiversidade, com uma riqueza hidrográfica singular. Também reconhecidos como “povos das águas”, são comunidades tradicionais que habitam as margens dos rios, tendo esse ambiente aquático um grande valor simbólico. Desse modo, esses povos detêm particularidades quanto à moradia, transporte, alimentação, técnicas agrícolas e conhecimentos empíricos. Assim, constituem um público com características excepcionais a serem atendidas no que tange a assistência à saúde. Objetivo: Relatar a realidade vivenciada pelos ribeirinhos da comunidade de Panacauera, localizada no município de Igarapé-Miri/PA, quanto a atenção à saúde. Resultados e discussão: A imersão na referida comunidade ribeirinha teve duração de 2 semanas, entre os meses de julho e agosto de 2023, na Unidade de Saúde da Família (USF) do local. Na oportunidade, observou-se a dinâmica da unidade, a qual é o único estabelecimento de saúde disposto nessa comunidade, que dista cerca de 3 horas do centro urbano. Assim, o primeiro entrave consiste na ausência de uma unidade de pronto atendimento que possa assistir os moradores em situações de urgência e emergência, que não são atribuições de uma USF, e caracterizam a maior quantidade de atendimentos de livre demanda da região, como acidentes com facões, anzóis e animais peçonhentos. Ademais, inexiste atendimento hospitalar obstétrico-neonatal, sendo um obstáculo para o auxílio ao pré-natal e consequente parto de qualidade, sobretudo em casos de prematuridade e risco materno/neonatal. Outrossim, os ribeirinhos possuem as suas rendas pautadas na agricultura e pesca, que, infelizmente, não geram comodidade econômica, fazendo com que, muitas vezes, a população não tenha dinheiro para o combustível das embarcações, dificultando o deslocamento até a USF, provocando agravos sérios e persistentes nesse povo. Por fim, a instabilidade da rede elétrica também está no rol de entraves, uma vez que essa inconstância afeta a qualidade do serviço, como nos casos de conservação de imunizantes. Considerações finais: Avalia-se que, das políticas públicas já desenvolvidas acerca da singularidade dos ribeirinhos ainda existem grandes problemáticas vivenciadas por esse povo no que se refere à saúde, especialmente em comunidades mais distantes da zona urbana, fazendo-se necessárias maiores e melhores intervenções enfocadas nesse público.