
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
PERFIL DAS NOTIFICAÇÕES DE TRANSTORNOS MENTAIS ASSOCIADOS AO TRABALHO NA ENFERMAGEM
Relatoria:
Geovanna Barros Silva
Autores:
- Thais Catharine Silva Barreto
- Maria Idelcacia Nunes Oliveira
- João Vitor de Jesus Andrade
- Ana Cristina Freire Abud
Modalidade:
Comunicação coordenada
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Pesquisa
Resumo:
Introdução: O trabalho na área da saúde está diretamente relacionado ao desenvolvimento de transtornos mentais, pelo fato de expor os profissionais a diversas situações estressantes. Devido a tal cenário, há uma preocupação crescente com o aumento do adoecimento psíquico dos profissionais da enfermagem e as repercussões que esses transtornos podem trazer na qualidade da assistência prestada. Objetivo: Descrever o perfil das notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho do enfermeiro, no período de 2021 a 2023, no Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico transversal a partir de dados secundários do SINAN/DATASUS. As variáveis analisadas foram: sexo, raça, faixa etária, consumo de alcoól e outras drogas, CID’s prevalentes, regime de tratamento, tempo de exposição, evolução do caso e condutas adotadas. Resultados/discussão: A partir da análise do total de 260 notificações durante o período, observou-se o maior número de registros na região sudeste (35%), sendo o perfil da população caracterizado pela faixa etária dos 30 a 39 anos (40%), feminina (92%), branca (58%) e não fumante (77%) cuja maioria não faz uso de psicofármacos (45%), drogas psicoativas (76%) ou álcool (73%). Quanto aos diagnósticos específicos relacionados à saúde mental, destacam-se os casos de transtornos neuróticos relacionados com o “stress” e somatoformes (49%), que incluem o transtorno do pânico, hipocondríaco e ansiedade generalizada, sendo que, em mais da metade dos casos (87%), o profissional já realizava tratamento ambulatorial. Nesse contexto, 116 enfermeiros relatam a exposição a situações estressantes durante anos e 101 confirmam não serem os únicos profissionais a adoecerem no mesmo local de trabalho. Além disso, 123 casos evoluíram com incapacidade temporária. Quanto à reação dos enfermeiros diante do adoecimento mental, muitos ainda escolhem não tomar nenhuma conduta de enfrentamento (47%), quando o fazem, preferem optar pelo afastamento da situação desgastante (45%) e/ou do próprio local de trabalho (45%), em detrimento das condutas de mudança na organização do trabalho, de proteção individual ou coletiva. Conclusão: Nesse ínterim, observa-se um aumento significativo de casos, ainda que subnotificados, de enfermeiros fragilizados mentalmente devido a longa exposição a situações estressantes que os impossibilitam de realizar uma assistência qualificada e dificultam a permanência do profissional no seu ambiente de trabalho.