
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
A INTERSECCIONALIDADE NO ACESSO À ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL NO BRASIL
Relatoria:
Paulyenny Machado Alves
Autores:
- Camila Mendes dos Passos
Modalidade:
Pôster
Área:
Eixo 2: Ética, política e o poder econômico do cuidado
Tipo:
Trabalho de conclusão de curso
Resumo:
A raça/cor e classe são condições decisórias no acesso aos serviços de saúde, refletindo em piores indicadores de morbimortalidade, sobretudo durante o ciclo gravídico puerperal. Objetivou-se analisar a relação entre marcadores da interseccionalidade (raça/cor e classe) e acesso à assistência pré-natal no Brasil. Trata-se de um estudo transversal e quantitativo, com dados de abrangência nacional da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 (PNS 2019). Primeiramente, as características sociodemográficas das mulheres estudadas e as prevalências dos indicadores de qualidade de pré-natal (QPN) foram descritas de acordo com a raça/cor e a renda. O teste qui-quadrado de Pearson foi usado, considerando um nível de significância de 5% (valor de p < 0,05) e intervalos de confiança de 95% (IC 95%). Por último, modelos de regressão de Poisson foram usados para analisar a magnitude da associação entre os indicadores de interseccionalidade e os indicadores de qualidade de pré-natal. Razões de prevalência ajustadas (IRR - taxas (%) de aumento ou redução de prevalência) foram estimadas para todas as mulheres e para estratos de raça/cor (pretas ou pardas; e brancas). A PNS 2019 foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) sob o Parecer nº 3.529.376. Os resultados apontam presença de disparidades sociais, raciais e econômicas entre as mulheres brasileiras no acesso à assistência pré-natal de qualidade no Brasil. Ainda na distribuição sociodemográfica, os resultados desse estudo revelam maior prevalência de mulheres pretas ou pardas com baixa renda, com menos anos de escolaridade e residentes da região nordeste do país. De maneira geral, mulheres pretas ou pardas tiveram menor acesso aos dois principais indicadores de QPN, captação precoce e mínimo de seis consultas, quando comparadas às mulheres brancas. Ademais, entre as mulheres de baixa renda foram percebidos piores indicadores de QPN. Por fim, mulheres pretas ou pardas com maiores rendas têm aumento na prevalência de captação precoce e mínimo de consultas preconizadas durante o pré-natal. Conclui-se que há uma relação entre os marcadores da interseccionalidade e o acesso à assistência pré-natal no Brasil. Sobretudo, houve redução da prevalência de indicadores de QPN entre mulheres pretas e pardas de baixa renda.