
Anais - 26º CBCENF
Resumo
Título:
VIVÊNCIA DE RACISMO E DEMAIS AGRESSÕES NUMA COMUNIDADE RURAL NO INTERIOR DE SERGIPE, BRASIL
Relatoria:
Jamile dos Santos Ferreira
Autores:
- Laura Dayane Gois Bispo
- Marielle Barbosa Carvalho
- Renata Jardim
Modalidade:
Pôster
Área:
Eixo 2: Ética, política e o poder econômico do cuidado
Tipo:
Pesquisa
Resumo:
INTRODUÇÃO: A prática do racismo e agressão é uma problemática antiga, influenciada por contextos históricos, culturais, socioeconômicos e geográficos. No Nordeste do Brasil, a alta desigualdade socioeconômica contribui para a violência e discriminação racial. O conceito de “raça” surgiu no século XVII e foi usado para justificar a superioridade de determinados grupos, relegando os negros à categoria de inferiores. Apesar da Lei 7.716 de 1989, que tipifica crimes de discriminação racial, a concretização plena da igualdade ainda não foi alcançada. OBJETIVO: Investigar relatos de vivência de racismo e demais agressões em uma comunidade rural no interior de Sergipe. MÉTODO: Estudo transversal, com adultos residentes da comunidade rural do Povoado Mariquita do município de Lagarto, Sergipe. Foram realizadas visitas à comunidade de agosto a setembro de 2023 para realização do inquérito epidemiológico. Todos os moradores com idade maior ou igual a 18 anos que estavam presentes no domicílio três dias de visita e que aceitaram participar foram entrevistados. Foi conduzida de acordo com as normas da Resolução do Conselho Nacional de Saúde - CNS 466/12 e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Hospital Universitário de Sergipe da Fundação Universidade Federal de Sergipe (Parecer 2.771.883 CAAE). RESULTADOS: As entrevistas indicaram que o racismo é mais relatado por mulheres (60%) do que por homens (40%). A interseção entre raça e gênero agrava a discriminação enfrentada por mulheres negras, um fenômeno complexo e multifacetado que permeia todas as esferas da sociedade. As disparidades socioeconômicas, como a alta proporção de afetados sem renda, destacam a relação entre raça, classe e acesso a oportunidades. As barreiras estruturais no acesso aos cuidados de saúde também são evidentes, com 37% relatando acesso inadequado. Os negros enfrentam maiores problemas de saúde evitáveis devido a desigualdades nas condições de vida, como acesso limitado a serviços de saúde, habitação precária e desemprego. As práticas racistas e agressivas infringem dor e sofrimento, diminuem a capacidade produtiva, a autoestima e causam problemas de saúde, afetando a dignidade da pessoa humana. CONCLUSÃO: o racismo e a agressão são condutas abusivas que impactam negativamente a saúde e a qualidade de vida. A dignidade humana é um mandamento superior que abarca todos os direitos fundamentais, e a prática de racismo e demais agressões deve ser reparada.