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Anais - 26º CBCENF

Resumo

Título:
HOMENS NA ENFERMAGEM: PERCEPÇÕES DO CAMPO DE PRÁTICA EM SAÚDE DA MULHER
Relatoria:
Rafael Saraiva Alves
Autores:
  • Naiara Gajo Silva
  • Iara Barbosa Ramos
  • Bianca Soares
Modalidade:
Comunicação coordenada
Área:
Eixo 1: Assistência, gestão, ensino e pesquisa em Enfermagem
Tipo:
Relato de experiência
Resumo:
Introdução: O debate sobre questões de gênero atravessa gerações e perpassa por diversas esferas sociais. Florence Nightingale defendia que mãos masculinas não tinham talento para o cuidar, sendo a prática da enfermagem um dom natural feminino. Fatores culturais e religiosos sobre o corpo feminino e a figura masculina como potencial abusador, constroem uma forte barreira para os homens que escolhem a enfermagem como carreira, especialmente na atenção à saúde da mulher. Objetivo: Apresentar as experiências e vivências de um acadêmico do gênero masculino nas aulas práticas da disciplina saúde da mulher. Metodologia: Relato de experiência de uma consulta de enfermagem para coleta de material para colpocitologia oncótica (CCO) em uma estratégia de saúde da família, no Mato Grosso do Sul (MS), em fevereiro de 2024. Resultados e discussão: A construção social de papeis de gênero na atuação do enfermeiro em saúde da mulher, trouxe ao discente anseios e inseguranças durante as práticas de coleta de CCO. Em um contexto mais conservador como o do interior do MS, há preferência das mulheres por enfermeiras nas consultas ginecológicas. Isso ficou evidente por relatos de estudantes veteranos, homens, que não realizaram a coleta de CCO por recusa das pacientes, e de mulheres de que não compareceram à consulta por saberem que havia um estagiário na unidade. O discente realizou um único procedimento de coleta de CCO e o fato de a mulher não negar o atendimento foi visto com surpresa pelo discente, que já havia se preparado para rejeição. A presença de uma professora, outra mulher, durante a consulta trouxe maior segurança ao discente e, provavelmente, à paciente. Apesar de ter conseguido realizar a consulta, o que foi uma vantagem em relação aos outros estudantes que passaram pela disciplina, a experiência ainda é insuficiente para a consolidação das habilidades e atitudes necessárias para o enfermeiro na consulta de coleta de CCO. Cabe aos docentes e discentes pensarem em estratégias para realização de uma prática que ofereça às mulheres um ambiente acolhedor e seguro, que superem, ou pelo menos minimizem as barreiras de gênero. Considerações finais: O combate ao machismo estrutural é importante para trazer segurança e confiança às mulheres que são atendidas por enfermeiros ou estudantes do sexo masculino e consequentemente para melhora dos processos de rastreio de câncer de colo de útero.